Tem horas que avanço e tem horas que me debato com as mesmas questões de sempre. Acho que dessa vez vou escrever assim, sem compromisso com nada a não ser a tarefa de jogar ao vento esses pensamentos velhos, que me pegam pelo pé. Percebi que oscilo incrivelmente. No mesmo dia, me sinto bonita, atraente. Mas chega à noite, tudo vai por terra e me deparo com a impossibilidade de me sentir sexy ou qualquer coisa parecida. Embora me saiba fogosa, para não dizer lasciva, me sinto meio sem graça aos olhos da maioria dos homens. Embora tenha dúvidas se é assim mesmo. Na verdade, não tenho certeza de nada. Essa dúvida toda me dá cansaço. Assim como cansaço me dá a tarefa do amor. Ando cansada, descrente. De um certo amargor, de uma certa indisposição. Cansei de lutar, de ser poeta, doce e tentar tecer histórias. Ando de preguiça e uma certa desesperança. Sei que há amor, há em minha alguma capacidade de amar. Mas por ora há cansaço.
E percebi algo feio outro dia: sinto inveja. Inveja desprovida de qualquer maldade, que fique claro. Mas inveja da beleza notada das outras mulheres. De serem bonitas e eu, ao meu ver, não. Bobagem sentir isso aos 30 anos. Mas sinto, porque em verdade, sei que o que é solicitado primeiro de uma mulher é a beleza. E enfim, embora me sinta bonita em algumas horas do dia, não sei se me faço acreditar bonita aos olhos dos outros. Isso me dá uma certa sensação de fracasso. E por isso sinto inveja das moças. Elas são reconhecidamente belas. Sem fazer esforço. E eu vivo me esforçando e é tão cansativo...tão cansativo não ser bonita de havaiana e camiseta. Tenho que usar vestido de bom corte, acessórios criativos, maquiagem, sapato fashion, estar bem perfumada e com os cabelos hidratados. Ainda assim, talvez, não esteja bonita. E enfim, sou infantil e sofro.
E ok, sei que é ridículo sentir isso aos 30, mas sinto e sinto com uma dorzinha de perceber que o tempo está passando. E estou lutando. Sei que mudei muito. Muito. Luto pra ser melhor, para me resolver, para me conhecer mais...mas é fato: essa chaga diante do espelho, essa chaga que me impede de desenvolver a capacidade de jogar charme, essa chaga pesa na minha nuca e me faz enterrar a cabeça pra baixo.
Ai que cansaço...