Sexta-feira, Julho 17, 2009

Não sei porque tão só.
Inha

Terça-feira, Julho 14, 2009

Engraçado, quando se gosta o peito palpita
A gente chora, bate cabeça, usa óculos escuros
Ouve Roberto Carlos
Mas quando não se tem ninguém
Numa alminha no coração
Fica um vazio, uma falta
Uma falta do que dizer e escrever
Ninguém pra se exaltar
Ou se ofender
Gosto não isso de não ter ninguém no coração
Um rostinho doce pra lembrar quando se fecha os olhos
Coração sem descompasso danado
Coisa estranha
Eita vida com gosto de cream cracker sem goiabada danado
Mas reclamo não...melhor assim
Do que aquela dor danada e nó no peito
Sei lá do que to falando.

Terça-feira, Julho 07, 2009

Olhe veja bem, não posso tomar essa cerveja. Não não posso sentar nessa mesa não, rapaz. Preciso ir embora, meu ônibus daqui a pouco passa. Não, sei que dá para ir andando mas prefiro ir de ônibus. Não posso ficar. Não, não, não me ofereça. Não quero tomar essa cerveja. Não pela cerveja em si, mas é que não quero beber com você. Acho que não consigo olhar pra seu rosto muito tempo. Ele me causa um espasmo de enjôo. É desagradável. Mas não sei se é enjôo de você, mas suponho que era enjôo de mim. Na verdade, acho que é a sensação de alguém que tomou um choque forte abrindo o chuveiro. Dá aquele medo de mexer de novo no mesmo lugar. E olhe, esse enjôo vem porque não sou mais a mesma pessoa. Aquela menina doce e faceira virou uma mulher tão cheia de amargura, que chega a garganta trava. Ando muito amarga. Talvez preferisse um café a uma cerveja. Amarga e descrente. Amarga e cansada de arrumar minha cama para os moços que só querem deitar nela e sair de manhã,depois do café sem compromisso de aparecer para o jantar. Por mais que eu arda em brasa, não quero mais esses drops de felicidade. Estou amarga e quero um homem doce que tenha paciência comigo. E não acho que será você. Massa saber que você gosta de conversar comigo. Eu sei que gosta. Todo mundo gosta. Eu sou divertida, articulada, sei disso. Também sei que deve sentir saudades de nós dois no quarto. Era ótimo. Senti falta durante um tempo. Depois dei sorte de encontrar outro moço que me fez mais feliz nisso que você. Mas lhe digo que apesar de tanta alegria, esse moço me deixou mais amarga ainda...nossa...ando difícil. Olhe, sério mesmo, nem quero esse arrumadinho, guarde mesmo, velho, vou comer não. Tô indo pra casa. Xô te dizer...porra, deixe minha mão quieta, man...sério mesmo. Não vou te levar pra minha casa não. De boa, vai ser massa...mas eu conheço minha ressaca no dia seguinte. Ligar pra você, telefone que não atende. Atende com voz de sono. Atende mal humorado. Tô cansada de dormir com gente que me dá ressaca. Tô cansada de ressaca. Tô vazando. Pode me olhar, tô ligada que esse vestido me deixa gostosa. Valeu mesmo. Minha auto-estima precisa dessa olhada. Mas embora meu fogo seja grande, tô vazando, velho. Beijão e não me liga. Não liga não. Eu fico triste. De verdade, porque no fundo no fundo. Eu preferia aquela menina, aquela alegria, aquele carinho que tinha por você. Preferia do que esse bandaid que coloquei por cima do peito todo ferido, lascado, fodido ferrado...tá inflamando...e não encontrei até hoje antibiótico que desinche.
Beijão. Não me liga.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Escrevo por uma certa urgência. Por uma necessidade de falar, por uma esperança de escutar alguma resposta, alguma fala e não deixar meus ouvidos em silêncio. Mas quase sempre, minhas palavras não encontram muito eco. E é tão duro a mão espalmada do desprezo da voz que você queria escutar, mesmo que fosse para dizer: Moça, você boba.
Tem coisa mais doce que noiva, véu e grinalda se preparando pra se entregar de cabeça, pés, flores e alma a alguém. Por mais que se queixe, se maldiga, se fale, casamento é bonito. Tem um quê doce de duas pessoas que resolveram se dar as mãos. E vão tentar. Tentar é preciso. Ter esperança é preciso. É doce ver a moça caminhando, lágrimas nos olhos e flores nas mãos, de branco, meio verão, meio primaveril. É doce a chuva de arroz. E os juramentos, que talvez não sejam cumpridos. Há que se prometer, se ritualizar e se tentar. Viver prescinde de rituais, de marcos, de pontuações...prescinde.

Sábado, Julho 04, 2009

Tenho tantos incendios dentro de mim, que já morri carborizada umas cinco vezes
E nada de bombeiros para me resgatar
Enquanto isso, continuo incendiando

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Meio embananada nos sentimentos. Um tanto cansada.
A rua está mais silenciosa agora, passam carros espaçadamente.
Uma estranha sensação de liberdade, estranha por não estar presa por nada...
A rua ontem estava extremamente alegre, bandeirolas, casas coloridas
Índios, baianas, cangaceiros, batucada
eu no meio
maniçoba, água, coca-cola
ri muito e depois de dias, não chorei
Mas sinto a qualquer momento que ele virá
em meio ao cansaço, ao sono, a uma amargura no peito
em meio a alegria de estar em casa e e ter o corpo cheirando a rosa

Segunda-feira, Junho 29, 2009

E então, quero anunciar, que naquela hora, com aquela brincadeirinha ingênua você partiu o último fiapo de vontade de te querer um pouco junto, um pouco bem, um pouco perto. Você partiu a última vontade de querer insistir em te querer.
E em meio a essa partida tão demorada, não sei porque, mas comemoro. Comemoro a vontade de decepar o pé dessa planta que já estava tão grande e enramada. Comemoro essa vontade inesperada de não mais lhe ver, nem lhe falar e de proclamar na minha parede que está decretado: vou lhe esquecer. É para já.
E que a Lua não mude tão cedo.

Sábado, Junho 27, 2009

É sinto que há um luto estranho e um pouco silencioso. Quando criança via aquele moço na tevê e não me lembro desde quando. Talvez quando me entendi por gente. Lembro de escondida debaixo da mesa, fugir de ver a imagem de Thriller na televisão. Era o Fantástico que insistia em reprisar aquele clipe. Mas lá pelos 4, 5 anos, aquelas não eram imagens que me faziam vibrar. Mais tarde, entendi que gostava dele, dos passinhos, da virada. Aí quando tinha uns 9 anos, saiu Bad e eu adorava aquela coreografia. Inclusive foi uma das primeiras palavras que aprendi em inglês. Mais tarde veio Black or White e eu estava na 5a série. Aquele foi o assunto por semanas e ninguém entendia aqueles efeitos especiais. Dali veio uma sucessão de clipes marcantes, que eu ficava desejando ver reprisados novamente. Um dia ele veio ao Pelourinho, mas nõ sei, minha preguiça de sair de casa impediu de eu ir ver Michael Jackson com o Olodum. Já tinha 15 anos nessa época.
Agora ele se foi e não sei, ficou uma espécie de vazio. Porque ele sempre esteve aí e sempre foi genial. Sempre foi fascinante vê-lo, embora nos últimos tempos ele tenha me despertado uma certa tristeza. Especialmente, por eu ser uma pessoa que sempre tive grandes problemas de aceitação. Ver alguém que não se aceita com tamanha intensidade sempre me assustou muito. Muito. E fico a pensar como é difícil isso de não conseguir se ver. Não conseguir vencer seus fantasmas, os pesadelos, os maus sonhos de infância. Oss castelos errados e grades que podemos construir em volta de nós...por pura cegueira...Há que se poder ver...se conhecer...eis o segredo.
Sinceramente, desejo que descanse em paz. Que durma um pouco e feche seus ouvidos às baboseiras que dizem por aí. Só ouça os cantos de carinho e a certeza que foi um artista sensível e memorável. E que tantos o amam, justamente por sua beleza.
Enfim, não podia deixar de falar.
Bye.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Nada como uma noite depois da outra
Nada como um corpo sobre o outro
Para esquecer brios e orgulhos
entre suores e dedos

Domingo, Junho 14, 2009

Ai menino, menino
Não diga pra uma moça que vai aparecer
que vai lhe fazer companhia, passar a tarde na Cubana
Não vá marcar hora de chegada e dizer que não tem vencimento a saída
pois vai lhe esquentar o colchão naquela noite
Não diga que quer vê-la muito
Não digam nada disso se não for fazer
se preferir passar a tarde de domingo vendo futebol na televisão
Não marque com a moça, não marque
Porque moça é diferente
se moço combina, e se a moça gosta do moço
Não tem como ela não perfumar-se
Não tem como ela não se lavar com o cheiro mais doce
e escolher o lençol mais macio
Não tem como ela não acender o incenso de laranjeira
Pôr brinco na orelha
e tirar o licor da cristaleira
Não tem como ela não passar batom cor de rosa
e calçar a sandália que deixa suas pernas mais torneadas
Não tem
Porque moça é assim
Esse quê de gueixa negra baiana
Não faz isso de não ligar pra dizer que não vem
Oh, isso é sádico e maltrata tanto
E é tão ruim maltratar o coração de alguém que se enfeita pra lhe fazer sorrir
E por mais que moça seja forte
A espera espizinha e lágrima desce do olho mesmo sem querer
Moça que ria displicente
que fez sua pele lisinha
e se distraia vendo a janela
Moça derruba uma lágrima
Porque diante do maltrato moça fica triste
Oh, menino, aprende a ter cuidado
aprende a não marcar se não pode...
Oh, é tão bom tratar quem gosta da gente com delicadeza
Porque é duro tirar o vestido bonito sem tê-lo usado
Limpar o batom com papel se preferia fazer isso com tenro beijo
Abraçar o travesseiro e dormir perfumada para alguém que simplesmente não veio
Porque esse alguém calculou mal o tempo
ou simplesmente não dá tanta importância a essa moça assim

Ah, moça, e se dê importância. Tanto quanto ao carinho que tinha bonito pra dar a esse moço que não veio. Se dê importância. Não se sinta boba. Guarda esse assanho, esse sorriso pra alguém que te mereça. E que de verdade, venha encher de alegria a tarde de domingo.